segunda-feira, 21 de julho de 2008

UniCPLP ou Unilab

Interessante este projeto de criar uma universidade de tamanho do mundo lusófono. Proponho a leitura de dois artigos sobre o assunto.


 


 

Brasil vai criar Universidade da CPLP


 

Projecto deve ser apresentado em Lisboa esta semana como uma consequência do acordo de unificação ortográfica. Países africanos e Timor Leste serão os mais beneficiados com cursos especialmente pensados para atender urgências.

 

A Comunidade de Países da Língua Portuguesa terá a sua primeira universidade pensada especificamente para unificar o idioma, consolidar a integração e disseminar o ensino à distância, sobretudo entre os países africanos e o Timor Leste.

O projecto da Universidade da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa deve ser apresentado em Lisboa nesta semana durante a VII Cimeira da CPLP.

O governo brasileiro tem pressa. Quer que o Congresso aprove o projecto ainda este ano para inaugurar a UniCPLP no segundo semestre de 2009. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva quer deixar o cargo em 2010 com a universidade em funcionamento.

Foi o próprio Lula quem cobrou iniciativas ao ministério da Educação para desenvolver um modelo que atendesse as necessidades dos países em África e Timor Leste. A UniCPLP insere-se na política do governo Lula de integração do Brasil com os países menos desenvolvidos.

A instituição internacional será erguida na cidade de Redenção no Estado do Ceará, a 60 Km de Fortaleza. A sugestiva escolha do local está coberta de simbologia. Os registos históricos são confusos, mas o local teria sido o primeiro em abolir a escravidão em território brasileiro.

"Do ponto de vista histórico, temos uma dívida com o continente africano por todos os recursos naturais e humanos que foram levados para o Brasil no passado. No presente, África é uma região em expansão de produção, uma reserva de matérias prima e de recursos humanos. Tem uma afinidade cultural com o Brasil expressiva. Todos os aspectos nos aproximam", explicou ao Expresso o ministro da Educação do Brasil, Fernando Haddad.

Do ponto de vista da infra-estrutura, Fortaleza mantém uma regularidade de vôos aos países da CPLP, sobretudo Portugal. Em Redenção ficará a sede, mas haverá sucursais em diversos países.

"Serão pólos de ensino à distância espalhados pelo continente africano. A UniCPLP vai oferecer um conjunto de cursos em diversos países voltados para a disseminação do português. Esse é um desejo do Presidente Lula", antecipa Haddad.

A universidade deverá contar com 250 professores de todos os países lusófonos (Portugal, Angola, Moçambique, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau e Timor Leste), sendo a metade de brasileiros.

Também metade dos cinco mil alunos devem ser brasileiros enquanto a outra metade estrangeiros que dominem a língua portuguesa. Para além dos cinco mil alunos, os pólos à distância abrigarão outros milhares pelo mundo.

"Queremos alunos de qualquer nacionalidade, mas principalmente africanos e timorenses", prioriza o ministro em referência aos países onde as necessidades são mais urgentes.

Os quatro primeiros cursos de licenciatura a serem oferecidos pela UniCPLP serão de pedagogia, agronomia, administração em gestão pública e ciências da saúde. Em diversos acordos bilaterais já feitos com o Brasil, essas são as áreas nas quais os africanos mais pedem cooperação.

UniCPLP nos moldes da Unila

Esta será a segunda instituição de ensino superior criada pelo governo Lula com a mesma finalidade. A primeira, a Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), foi anunciada em dezembro de 2007, com a previsão de acolher 10 mil alunos, que terão aulas em espanhol e português dadas por 500 professores a serem recrutados entre os países membros do Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Venezuela).

A Unila usará as instalações do pólo tecnológico de Itaipu, a maior usina hidreléctrica do mundo, na fronteira entre o Brasil e o Paraguai, com a Argentina a excassos quilómetros.

"A Unila vai reservar 50% das suas vagas para alunos latino-americanos. O Brasil quer ajudar a formar uma nova mentalidade no continente. Queremos construir um projecto político pedagógico novo, voltado para a integração. Os cursos não serão tradicionais. Serão para forjar um novo cidadão que pense de maneira integradora com foco na região", indica Haddad.

Assim, o Brasil assume a responsabilidade de representar a língua portuguesa na América do Sul.
"A proximidade das relações bilaterais acabam por impor uma tarefa nossa de apoiar a iniciativa dos países sul-americanos em adoptar o português", avalia.

A UniCPLP pode ser a primeira grande consequência do acordo de unificação da língua portuguesa.

"Sem dúvidas, esta universidade só pode ser pensada a partir do acordo ortográfico. Por isso, é que foi concebida. O acordo fortalece a língua. A língua permaneceria enfraquecida se mantivesse a dupla grafia", garante.
Segundo o ministro da Educação do Brasil, o acordo ortográfico facilita a ajuda dos mais ricos aos mais pobres dentro do universo da língua portuguesa.

"É importante até para nós brasileiros e portugueses podermos ajudar mais. Por exemplo, a remessa de livros não exigirá do Brasil uma tradução para outro português. E nos foros internacionais, nunca mais vamos ouvir a pergunta: 'Mas português de onde?'", conclui Haddad.


 

Fonte: Jornal Expresso (Portugal) edição de sábado 19 de Julho de 2008


 

Sobre o assunto a UOL – educação afirmava em 25 de junho 2008 que a designação Universidade da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa" (UniCPLP), "Universidade Federal de Integração Luso-Afrobrasileira" (Unilab) ainda não está definida, o que um mês depois parece ser verdade pois em cada lado do oceano encontramos designações diferentes. Proponho que leiam o segundo artigo que inclui novos elementos.


 


 


 

Lula quer UniCPLP funcionando em 2010, diz Amorim


 

O presidente Lula está muito entusiasmado com a idéia de se criar uma universidade voltada para os países lusófonos, disse à Agência Lusa o ministro das relações exteriores, Celso Amorim.

"Ele quer ver a universidade operando já em 2010. Isso vai contribuir muito para uma maior integração dos nossos povos", disse Celso Amorim à Agência Lusa.

De acordo com Amorim, o objetivo é atender as necessidades dos países mais pobres da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e a iniciativa pode ser anunciada por Lula já na próxima cúpula da organização.

O projeto está sendo finalizado e deve ser enviado ao congresso no próximo mês.

A previsão é que a Universidade da CPLP (UniCPLP) ou Universidade da Integração Luso-Afro-Brasileira - o nome ainda não está definido - comece a funcionar em 2010.

Segundo o secretário de Ensino Superior do Ministério da Educação, Ronaldo Mota, a determinação para criar a provisoriamente denominada UniCPLP veio do próprio presidente.

Esta é a segunda universidade anunciada pelo atual governo com o objetivo integrar o Brasil a outras nações.

A primeira, divulgada em 2007 e que começa a funcionar no próximo ano, é a Universidade Latino-Americana, construída em Foz do Iguaçu, na fronteira com Argentina e Paraguai.

Nesse projeto, as línguas portuguesa e espanhola serão partilhadas: metade dos alunos será de brasileiros e a outra metade da América Latina e do Caribe.

Para participar do corpo docente, brasileiros e latino-americanos poderão se candidatar em igualdade de condições.

Projeto voltado para a África
"A UniCPLP tem similaridade com a Universidade Latino-Americana, mas os olhos do projeto estão voltados para a África", disse Ronaldo Mota à Agência Lusa.

A língua será única, aproveitando o idioma comum dos oito membros da CPLP - Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste -, e a formação de professores vai ser uma prioridade.

Será dada ênfase também às carreiras que os países africanos têm mais interesse, como licenciatura em Ciências da Saúde, Física, Biologia, Engenharia, Tecnologia, Administração e Agronomia.

"A UniCPLP pretende ser absolutamente inovadora do ponto de vista acadêmico, com projetos políticos pedagógicos próprios, que levem em conta algumas peculiaridades", destacou o secretário.

Uma dessas peculiaridades, segundo Mota, é estimular o regresso dos estudantes estrangeiros para seus países de origem, com parte dos cursos sendo ministrada no Brasil e a outra parte à distância.

"Vamos coordenar simultaneamente um conjunto grande de pólos de educação à distância na África, não estando excluída do projeto a participação de outros países africanos fora da CPLP", destacou Ronaldo Mota.

A meta é chegar a 10 mil estudantes quando a universidade estiver funcionando plenamente.

A sede já foi escolhida: Redenção, a 66 quilômetros de Fortaleza. O Ceará é o estado mais próximo de Portugal e da África. A escolha é simbólica porque a cidade é conhecida como uma das primeiras do Brasil a abolir a escravidão.

O governo do Ceará, que tem grande interesse no projeto, já doou um terreno de 42 hectares para a construção da nova universidade, que será custeada pelo governo brasileiro.

"Operacionalmente, a construção é mais fácil se executada por apenas um país. Depois abriremos para a cooperação com outros países da CPLP, com quem queremos ter laços estreitos, especialmente com Portugal", disse o secretário de Ensino Superior.

Ronaldo Mota destacou ainda a importância da interação da UniCPLP com outras instituições de educação superior de língua portuguesa.

"Vamos ter um futuro muito melhor do que foi o passado e está sendo o presente no que diz respeito à integração acadêmica. Queremos uma educação integrada e de alta qualidade", declarou.

O custo do projeto não está definido, porque depende ainda de alguns pontos, como, por exemplo, as carreiras que serão oferecidas pela nova universidade.


 


 

O que interessa não é a designação, mas a idéia do projeto e é óbvio a sua concretização. Vamos torcer para que seja um grande sucesso dos PALOP.

Postado por João José Saraiva da Fonseca em 21 de agosto de 2008

Um comentário:

Roberto Moreno disse...

Salve a UNILA e a UniCPLP, entretanto, vem ai a GEO Universidade, um projeto educacional de grande envergadura, que irá unir de uma forma Real, Virtual e Interactiva os 30 países que compõem a Comunidade Iberófona. E, tudo a custo ZERO, pois será edificada num REVOLUCIONARIO, conceito de Endoeconomia, criado pela Fundação Geolíngua, amplamente divulgado para as autoridades e imprensa luso-brasileira.

A Fundação Geolíngua, no âmbito da sua proposta de promover o bilinguismo e ressuscitar a mais antiga comunidade linguística do mundo, fortalecida com o Tratado de Tordesilhas de 1494, lança as bases para unir 700 milhões de Iberófonos, donos, de direito e de facto, da metade das terras do mundo (geograficamente falando), formado por 30 países e que não possuem problemas de comunicação nas suas línguas maternas, pois é público e notório este FACTO!

Vários GEO projetos, onde se inclui a GEO Universidade, estão a ser apresentados pela Fundação Geolíngua para a Embaixada do Brasil, desde 1992, e para algumas personalidades, tais como, Enrique Iglesias, Secretário-Geral Ibero-Americano; José António Pinto Ribeiro, Ministro da Cultura de Portugal e, com destaque, ao Presidente Lula e ao ex-ministro Gilberto Gil em 2002 e 2003, respectivamente.

O Presidente Hugo Chaves, também recebeu, em mãos, vários GEO projectos. (GEO-Universidade, GEO Saúde, GEO Segurança … entre outros)

Caso a comissão instaladora, brasileira, das duas Universidades, queiram a colaboração de Roberto Moreno, fundador e presidente da Fundação Geolingua, e obter o financiamento necessário é só entrar em contacto – (351) 966 054 441 - geral@geopress.org