domingo, 22 de fevereiro de 2009

A RELAÇÃO DA ESCOLA COM A COMUNIDADE O PARTENAREADO NECESSÁRIO

A RELAÇÃO DA ESCOLA COM A COMUNIDADE O PARTENAREADO NECESSÁRIO

A escola não é um espelho da comunidade. A escola não é um retrato da comunidade. A escola não é salvadora da comunidade. A escola participa da comunidade e é participada por ela”.

Sandra Zita Silva Tiné



A reforma e a democratização da educação, passam obrigatoriamente por um envolvimento da comunidade, num processo de influências recíprocas, visando combater a distância entre as praticas educativas e as realidades sociais e culturais dos alunos.



A educação pode apresentar-se sob as formas e as modalidades mais diversas, segundo os grupos humanos considerados e os seus graus de desenvolvimento. Em todas as circunstâncias, porém, ela constitui fundamentalmente, um modo de transmissão de cultura de uma geração a outra, através da qual as gerações mais jovens, adquirem a capacidade de utilizar as técnicas que condicionam a sobrevivência do grupo. A escola, é de antemão uma instituição social, pelo que as suas paredes devem ser porosas, integrando a contribuições do contexto cultural em que se insere.



o problema da natureza e modalidade das relações, entre o estabelecimento de ensino e a comunidade local em que está inserido, tem sido desde o início dos anos 70, motivo para numerosas experiências inovadoras, incidindo quer sobre práticas pedagógicas, quer sobre as formas de gestão escolar e dos equipamentos educativos tendo como pano de fundo a intenção de "abrir" a escola a comunidade. A participação comunitária na vida da escola, é inseparável do contexto sócio-político no qual se insere. É esse contexto que lhe fixa as possibilidades e os limites e que lhe determina o significado, definindo nomeadamente:

- o nível a que ocorre a participação (apenas a nível local ou a níveis mais amplos);

- o tipo de participação (consultivo, deliberativo, etc.);

- os domínios de aplicação da participação;

- etc..



A participação comunitária na escola não se reduz pois, a um problema pedagógico, é também um problema político. A prática da autonomia, que implica uma revalorização do papel da escola e a co-responsabilização de toda a comunidade educativa, sustenta-se, desta forma, num articulado legal, que transfere para a escola as competências e espaços de decisão, até aqui da responsabilidade da administração central e regional.



A oposição que freqüentemente se estabelece, entre escola "fechada" e escola "aberta", é, em rigor, uma falsa oposição. A escola constitui sempre um sistema aberto, na medida em que, com variações de grau e, de natureza, mantém trocas regulares com meio que a envolve.

A definição das suas fronteiras, que deriva da natureza e da intensidade das trocas que realiza com o meio envolvente, são em larga medida fronteiras móveis, construídas em função do Projeto pedagógico que cada escola concebe e põe em prática. A semelhança do que acontece com os sistemas vivos, a escola possui propriedades de homeostasia, que lhe permitem manter condições internas de funcionamento constantes e equilibradas, reagindo a perturbações ou mudanças registradas no meio envolvente As mudanças introduzidas do exterior São, porém, freqüentemente encaradas como perturbações, a que o sistema reage, quer pela rejeição, quer pela recuperação, isto é, transformando-as e adequando-as à sua lógica de funcionamento. Esta capacidade de "conservar" não se opõe, contudo, de forma absoluta à capacidade de mudar. Porém, o sistema só evolui através da produção de inovações infinitesimais, endógenas, susceptíveis de constituírem pontos de apoio para induzirem mudanças mais profundas e globais.

A "abertura" da escola à comunidade deve ser entendida como um processo, inserido numa estratégia de mudança da instituição escolar, a partir de um alargamento do âmbito da intervenção educativa, em termos de espaços, de tempos e de atores sociais envolvidos, com repercussões nas relações de poder e com o saber no interior da escola.

A defesa do estreitar da relação entre a escola e a comunidade local reveste, com freqüência, a forma de um discurso essencialmente normativo e voluntarista. É necessário reequacionar esta idéia, tentando identificar traços de políticas educativas locais, emergentes das relações originais que um subsistema educativo periférico estabelece como o "território" (educativo) em que está inserido, num quadro que encare a imperiosidade de sensibilizar e mobilizar a intervenção de toda a comunidade, em domínios de interesse comum envolvendo-a num processo de co­-responsabilização, pelas opções coletivamente tomadas.

Esta "territorialização" das práticas e das políticas educativas, pode constituir-se a partir de distintos "pontos de entrada" e não, necessariamente, a partir da escola: a intervenção no campo da saúde, a reabilitação de ofícios tradicionais, a luta contra a pobreza, o combate e a prevenção da iliteracia, o apoio à criação de emprego, constituem pontos de partida para construir dispositivos integrados de educação e formação, a nível local, com a emergência do caráter estratégico estruturante das modalidades educativas não formais e informais. Neste processo a escola deverá demonstrar uma predisposição para a permuta, para dar e não esperar só receber, numa relação biúnivoca que possibilite a sua participação ativa, em colaboração com a comunidade, na elaboração de estratégias susceptíveis de criar situações de aprendizagem que se adeqüei e respeitem os contextos culturais presentes na escola e se constituam, portanto, pertinentes e significativas para os alunos e opositoras ferozes do insucesso escolar e da marginalização escolar e social que este motiva. A abertura da escola à comunidade, tem de se basear num clima escolar de estabilidade emocional, dinâmico e otimista, e envolver as noções de partenariado, de partilha de responsabilidades e de participação, assentes na idéia de que o sucesso educativo para todos só é possível, com a colaboração de todas as estruturas e contextos que constituem o mundo do aluno, num processo que adeque o projeto pedagógico, às necessidades reais da comunidade, permitindo-lhe uma apropriação dos processos de mudança e reforçando a sua autonomia, a sua credibilidade social e identidade. Este processo de mudança, não poderá esquecer que o aluno é um veículo privilegiado das trocas de comunicação entre a escola e as famílias, mensagens de que ele é o referente e cujo conteúdo e interpretação, está em condições de fortemente influenciar. Isto significa, que não é possível uma mudança da relação da escola com os pais, que não se articule necessariamente com uma mudança qualitativa da relação com os alunos. A importância não só para o desenvolvimentos harmonioso da criança, bem como para o incremento da sua motivação, melhoria do seu comportamento e atitude face a escola, da existência de relações positivas entre a escola e a família, é hoje ponto reconhecido e aceite, com reflexo natural na melhoria dos índices de sucesso escolar. O processo de envolvimento de todos os pais na atividade escolar, tem de contemplar uma adequação às transformações ocorridas na estrutura das famílias e passar pelo combate às atitudes e crenças negativas em relação aos pais de grupos sociais desfavorecidos ou culturalmente diferentes, que devem ser encarados como parceiros possíveis e iguais, único modo de eles próprios se enquadrarem nesse papel. Para que um ser, ou grupo, se possa reconhecer enquanto tal e possa exprimir o seu próprio pensamento, é necessário que alguém o respeite, o escute e faça um esforço para o entender. A concretização da colaboração entre a escola e a família, permite estabelecer pontes de comunicação e harmonia, entre estas componentes essenciais do mundo da criança, fator que contraria o desfasamento entre a lógica e o saber aprendidos no processo de socialização e o capital cultural e códigos que a escola valoriza ou reproduz, motivadores do insucesso escolar. As crianças de baixos rendimentos e as oriundas de meios culturais diferentes, são as que mais poderão ganhar com o envolvimento dos pais. O envolvimento e a participação dos pais na escola, desde que cuidadosamente preparado e guiado por sólidos princípios democráticos, baseados em preocupações de igualdade pode, contribuir para o seu envolvimento na educação dos filhos, comunicando de forma positiva com os professores, e olhando-os com mais simpatia. Os professores adquirirão uma visão mais completa e correta dos seus alunos, ganhando em termos de prestígio, autoridade e compreensão para a sua importante missão social, o que perdem ao ver-se menos como donos da escola, do conhecimento e da educação.


A escola, não se deve limitar à transmissão de conhecimentos, nem se considerar numa posição de salvadora da comunidade.

A escola e a comunidade devem procurar unir sinergias na identificação de ações conjuntas a desenvolver. Isso envolve não só uma participação mais efetiva dos pais na vida da escola e da educação escolar dos filhos. Vai mais além na procura dialogada de recursos vários que possibilitem atender às expectativas e aspirações da sociedade.

Ricardo Semler, Gilberto Dimenstein e Antonio Carlos Gomes da Cotas escreverem o livro “Escola sem sala de aula”. No livro pode-se ler: “O mundo real, fora da escola, não valoriza quem sabe fazer testes com base na memorização mecânica. Valoriza os criativos, os ousados, os empreendedores, aqueles que são capazes de aprender sempre e em qualquer lugar, integrados a comunidade de aprendizagem”.



No livro os autores discutem algumas propostas para esses novos paradigmas de aprendizado, expondo propostas que passam pela escola sem sala de aula, onde os alunos são motivados a encarar o aprendizado como atividade cotidiana de todos, no quadro de uma comunidade de produtores de saberes e fazer, conectando as várias áreas de conhecimento.

Elaborado por João José Saraiva da Fonseca

Postado em 24 de fevereiro de 2009 por João José Saraiva da Fonseca

Nenhum comentário: