domingo, 22 de fevereiro de 2009

Do grunhido ao satélite

Assim como cresce e se desenvolve uma grande árvore, a comunicação evoluiu de uma pequena semente – a associação inicial entre um signo e um objeto – para formar linguagens e inventar meios que vencessem o tempo e a distância, ramificando-se em sistemas e instituições até cobrir o mundo com seus ramos. E não contente em cobrir o mundo, a grande árvore já começou a lançar seus brotos à procura das estrelas.

A comunicação humana tem um começo bastante nebuloso. Realmente não sabemos como foi que os homens primitivos começaram a se comunicar entre si, se por gritos ou grunhidos, como fazem os animais, ou se por gestos, ou ainda por combinações de gritos, grunhidos e gestos.

Durante bastante tempo discutiu-se a origem da fala humana. Alguns afirmavam que os primeiros sons usados para criar uma linguagem eram imitações dos sons da natureza: o cantar do pássaro, o latido do cachorro, a queda-d’água, o trovão. Outros afirmavam que os sons humanos vinham de exclamações espontâneas com o “ai” da pessoa ferida, o “ah” de admiração, o “grr” de fúria.

Nada impede que se pense também que o homem primitivo usasse sons produzidos pelas mãos e pés, e não só pela boca. Poderia ainda ter produzido sons por meio de objetos, como pedras ou troncos ocos.

Outra grande invenção foi a gramática, isto é, o conjunto de regras para relacionar os signos entre si. As regras de combinação são necessárias pela seguinte razão: se o homem possui um repertório de signos, teoricamente poderia combina-los de infinitos modos. Se cada pessoa combinasse seus signos a seu modo, seria muito difícil comunicar-se com os outros. Graças à gramática, o significado já não depende só dos signos mas também da estrutura de sua apresentação. É por isso que não é a mesma coisa dizer: “Um urso matou meu pai”, que dizer: “Meu pai matou um urso”.

De posse de repertórios de signos, e de regras para combina-los, o homem criou a linguagem.

Eventualmente os homens aprenderam a distinguir modo diversos de usar a linguagem: modo indicativo, declarativo, interrogativo, imperativo, traduzindo as diferentes intenções dos interlocutores.

Compreendeu-se que, na linguagem, algumas palavras tinham a função de indicar ação, outras de nomear as coisas, outra de descrever qualidades ou estados das coisas etc. Evidentemente, quando criaram a linguagem, os homens primitivos não imaginavam que estas funções algum dia receberiam os nomes de verbo, substantivo, adjetivo, advérbio etc.

BORDENAVE, Juan E. Diaz, O que é comunicação. São Paulo: Brasiliense, 1983. p.23-5

Postado por João José Saraiva da Fonseca em 23 de fevereiro de 2009

Um comentário:

Eudecilia disse...

Parabéns pela postagem adoro ler sobre linguagem, ela impregna nossos pensamentos, é intermediaria em nossos relacionamentos com os outros, e se insinua até em nossos sonhos, por isso nem mesmo os linguisticas podem afirmar compreendê-la totalmente.