sexta-feira, 28 de agosto de 2009

O Que é Planejamento Participativo?

Disponibilizo apontamento de estudo realizado por Joao Jose Saraiva da Fonseca sobre planejamento participativo.


O Que é Planejamento Participativo?

O planejamento é, em primeiro lugar, um processo de tomada de decisões. É um processo de tomada de decisões e de comunicação sobre os objetivos que se devem atingir no futuro visando transformar uma dada realidade, de uma maneira mais ou menos controlada.


[Um objetivo é uma descrição explícita de uma futura situação considerada como desejável. Os objetivos servem como
orientação para guiar as organizações, para tomar decisões e para implementar as ações correspondentes. Os objetivos facilitam a maneira de identificar as diferentes formas de atingi-los. Também facilitam atingir um acordo sobre eles].


O Planejamento Participativo é a busca de uma visão múltipla, integrada e sustentável de desenvolvimento.

Cada alternativa representa um caminho possível para chegar à situação desejada, e implica outra maneira de utilizar os escassos
recursos que estão à nossa disposição. Para concretizar as decisões, é necessário que as pessoas envolvidas se comprometam a atuar conforme às decisões tomadas.

O planejamento é também um processo de comunicação. Por meio da comunicação, as pessoas se sentirão comprometidas com as decisões que se tomam.


Todas as pessoas envolvidas têm idéias diferentes sobre a situação desejada e como atingi-la. Para chegar-se a um acordo, todos devem ter a oportunidade de expressar suas idéias. Também é necessário informar às pessoas sobre os antecedentes do tema com o qual se lida e sobre os mecanismos que fazem que os problemas continuem. Dessa maneira, é possível procurar distintas alternativas para resolver os problemas e apresentar opções novas.

Quando ocorre a participação de várias pessoas no planejamento, abre-se um leque bem maior de opções, mais experiências a serem passadas, diferentes olhares sobre os temas tratados. Além de permitir a ampliação da capacidade de ação, complementação de especialidades, até mesmo diminuindo custos e permitindo um trabalho com mais qualidade.

O Planejamento participativo permite coordenar idéias, ações, perspectivas e compartilhar preocupações e utopias, em vez de priorizar a conformação de instâncias formais e estáticas. Não existe um "modelo" para isso. De acordo com as caracteristicas próprias de cada coletivo, encontrar-se-á o mais adequado. Em todo caso, deve contribuir para maior eficácia, clareza e profundidade no que se faz.


Para que o planejamento seja efetivo, é necessário garantir a participação das pessoas. Sua participação no processo de planejamento é um requisito prévio, para o sucesso.

Isso significa que o processo de planejamento deve ser organizado de maneira que as partes interessadas participem ativamente no processo de planejamento, nos momentos pertinentes.




Existem diferentes maneiras de organizar a participação das partes interessadas no processo de planejamento.


Para que os projetos sejam efetivos, eles devem ser manejados nas etapas do que apelidamos de “ciclo de projetos”. Esse ciclo caracteriza-se, por ser um processo ininterrupto de planejar, acompanhar, avaliar e replanejar.

No ciclo de projetos, distinguem-se as seguintes etapas:





O ponto inicial do projeto de planejamento participativo, parte de três questões essenciais:

1. Identificação

- O que queremos alcançar?

2. Formulação
- A que distância estamos daquilo que queremos alcançar?

Neste momento se inclui a indentificação dos PROBLEMA, seus INDICADORES (apresentacao dos dados quantitativos ou qualitativos que demonstram a existência do problema) e suas CAUSAS (descrição, de forma clara e objetiva, das principais causas do problema selecionado). Uma análise dos antecedentes da situação problemática e das experiências prévias para resolver os problemas, dará informação útil para o processo de planejamento. É fundamental fazer que os problemas a serem tratados pelo Plano partam do seio da comunidade e torna-se necessário também hierarquizá-los. Para tal será útil elaboração de uma árvore de problemas, enquanto método que mostra a relação entre a causa e o efeito
dos problemas identificados.



As seguintes recomendações podem ajudar a construir a árvore:
√ Controlar o alcance do assunto ou do problema e limitar a discussão ao tema do projeto; evitar que a
discussão dê voltas.
√ Assegurar que a informação oferecida por todos os atores e sobre os atores esteja incluída na análise
do problema, também a informação dos atores que não participam diretamente.
√ Aspirar a que os participantes cheguem a um acordo claro sobre a árvore de problemas.
√ Definir o tema com o qual o projeto pode lidar, e os temas com quais não pode lidar.
√ Descrever a maneira em que foi realizada a análise do problema e do processo de planejamento
(quando, quais partes estavam envolvidas, que método foi utilizado, etc.)


3. Exame e compromisso

- O que faremos concretamente (em um prazo predeterminado) para diminuir esta distância?

Envolve as OPERAÇÕES (seleção de uma ou mais estratégia que visando resolver o problema e atingir os objetivos), tomando em conta as próprias possibilidades e identidade como entidade executora do projeto. ), os RECURSOS necessários e a definição do PRAZO DE EXECUÇÃO

4. Implementação e acompanhamento da execução das operações pensadas


5. Avaliação/revisão

Contempla os RESULTADOS esperados com cada operação, a AVALIAÇÃO da operação e, finalmente, a REVISÃO GERAL de todas as operações.

Análise dos resultados e do impacto do projeto. A avaliação deve começar durante a implementação, para poder tomar medidas para resolver eventuais problemas. Depois da implementação do projeto, a avaliação é utilizada para emitir recomendações para projetos similares ou projetos de continuação.


Sam Kaner et al na obra “Facilitator’s guide to participatory decision-making“ e propõe uma visão do planejamento participativo envolvendo três etapas:

Na Zona Divergente na qual se deve buscar ampliar os elementos com os quais se trabalha, sem a preocupação em avaliar se são pertinentes ou não, nem de estruturar as informações para melhorar o entendimento. Essa etapa constitui-se de três atividades principais: reconhecer o território, na qual os diferentes pontos de vista são coletados; buscar alternativas, na qual possíveis soluções não usuais são procuradas; e coletar pontos problemáticos, na qual deve ser estimulada a opinião acerca dos pontos mais ameaçadores com relação ao assunto que está sendo discutido.

Na Zona de Discussão, o esforço deve ser no sentido de construir um entendimento compartilhado por todos, de forma que os diferentes pontos de vista possam ser entendidos, ainda que não haja concordância com relação a eles. Ela compõe-se de duas atividades: criação de um contexto compartilhado, na qual devem ser utilizadas dinâmicas que promovam o entendimento mútuo dos pontos de vistas dos participantes; e reforço dos relacionamentos, com vistas a fazer com que os participantes se conheçam melhor, facilitando assim a comunicação.

Na Zona Convergente deve-se discutir as alternativas de forma que estas contemplem todos os interesses e preocupações envolvidos. As atividades que a compõem são: exploração de princípios inclusivos, em que alguns artifícios para incorporar os interesses nas alternativas são trabalhados; reenquadramento criativo, na qual deve ser feito um esforço para ver o problema sob um ponto de vista diferente; e reforço das boas idéias, na qual as soluções devem ser avaliadas e refinadas aos poucos para alcançar o melhor resultado possível.

O resumo da obra de Sam Kaner et al está disponível em Urbanidades)e foi adaptado para fins didáticos por Joao Jose Saraiva da Fonseca

Os processo de planejamento participativo são coordenados sempre que possível por uma dupla. Uma pessoa responsabiliza-se pela coordenação e a outra pela observação do acontecer grupal.

Trabalhar um processo participativo de planejamento permite:

* maior consciência sobre a missão da organização,
* um melhor entendimento da estrutura da organização e da relação do ambiente interno com o contexto social, económico e político.
* a criação de novos instrumentos de análise e previsão;
* estabelecimento de critérios para a definição de prioridades e alocação de recursos;
* formas de aprendizado reciproco;
* uma melhor compreensão das dificuldades enfrentadas nas diferentes instâncias da organização e maior cooperação entre elas;
* uma maior cooperação entre as diferentes instâncias no sentido de obter maior eficiência e eficácia, abrindo caminhos para novas formas de gestão, aumentando a capacidade de resposta às demandas tanto internas como externas;
* uma otimização dos recursos disponíveis, possibilitando uma relação mais positiva entre custos e benefícios, diminuindo o peso dos gastos administrativos;
* a definição clara de funções e a articulação funcional e operativa entre as diferentes instâncias
* uma consciência da globalidade e interdependência entre as diversas actividades.
* Uma consciência da responsabilidade de cada um na obtenção dos resultados.

No desenvolvimento das ações de planejamento participativo acontecem por vezes erros associados a:
• não se lidar com os problemas reais dos beneficiários e das partes interessadas;
• definição dos objetivos do projeto pouco é clara ou não realistas;
• as tecnologias aplicadas não são apropriadas;
• não existe uma definição clara de quem é o “dono” do projeto;
• não se dá suficiente atenção aos valores sócio-culturais dos envolvidos;
• os riscos não são antecipados e não procura-se maneiras para evitar ou limitá-los;
• os projetos não são suficientemente sustentáveis – as atividades “morrem” quando o apoio externo diminui gradualmente.


Postado em 01 de setembro de 2009 por Joao Jose Saraiva da Fonseca

Um comentário:

Alguma Vanessa por aí... disse...

Muito bom esse seu post sobre planejamento participativo!
estou escrevendo um tcc a respeido do assunto, me interessou particularmente as imagens q estão aqui. Você teria um referencial para me passar?
Obrigada!