domingo, 23 de agosto de 2009

Literatura, ciberespaço e jovens: novos rumos na rede

A revista Ponto.com publicou um artigo sobre um projeto que integrado à série Rumos na Rede voltada para o público juvenil e publicada pela Editora Moderna, procura "aproximar dois universos comumente vistos como distantes ou quase excludentes: o do livro e o da internet".

De acordo com a proposta Se se considerar "que uma das funções primordiais da literatura é oferecer a possibilidade para refletirmos sobre a realidade e sobre comportamentos humanos, fica mais fácil compreender porque a nossa intenção é criar, por meio dessa, condições para que os jovens discutam alguns dos temas e dramas que marcam a adolescência em um mundo predominantemente digital. No caso específico dos jovens e do ciberespaço, o distanciamento que permite a reflexão torna-se praticamente inalcançável, porque o processo de fabulação está na essência das relações ali estabelecidas. Esperamos, com as narrativas da série, criar um contexto que, por recriar ficcionalmente dilemas e angústias característicos desse novo espaço, favoreçam a construção de novas competências, fundamentadas em valores positivos, que privilegiem as emoções e os relacionamentos vividos no mundo real".

Apresento aqui parte da entrevista da Coordenadora do projeto, Maria Luiza Abaurre, adaptada para fins didáticos por Joao Jose Saraiva da Fonseca.

Literatura, ciberespaço e jovens: novos rumos na rede


Literatura e ciberespaço combinam?

Se considerarmos que na base da criação literária está a possibilidade ilimitada de imaginar mundos ficcionais ou recriar, ficcionalmente, a realidade, vamos concluir que a literatura tem, ao longo da história humana, demonstrado um poder de adaptação muito grande a diferentes suportes e formatos. Então, literatura e ciberespaço combinam muito. Não podemos nos esquecer de que, na origem, a criação literária ocorria somente no espaço da oralidade e, com o advento da escrita, a literatura rapidamente se adaptou às novas possibilidades e desenvolveu inúmeras formas e gêneros próprios para o universo da escrita. O mesmo tem acontecido em relação ao ciberespaço. Os blogs, hoje, são uma importantíssima ferramenta de criação e divulgação de textos literários de qualidade. Podemos imaginar, por exemplo, que autores que, no século XIX, ficavam “restritos” a manuscritos não publicados, hoje conseguiriam, por meio de um blog, divulgar seus textos e poemas para todos aqueles que, navegando pela rede, estivessem dispostos a conhecê-los. Portanto, o ciberespaço veio ampliar, e muito, o universo de leitores potenciais. Isso é excelente.

Literatura, ciberespaço e jovens combinam?

Quando a gente leva em consideração que um jovem de 15 anos nasceu depois do surgimento do computador pessoal, do e-mail, da internet; quando nos damos conta de que esse mesmo jovem tinha quatro anos quando surgiu o ICQ, cinco anos quando foram criados os primeiros tocadores de mp3, 11 anos quando o Orkut foi lançado, entendemos que o mundo dele é muito diferente do de seus pais e professores. Nenhum de nós imagina o que era viver sem televisão ou telefone, mas nossos pais precisaram aprender a lidar com esses objetos como parte da vida cotidiana. O mesmo é verdade para nós: temos de aprender a lidar com o universo virtual como um dado constitutivo do mundo em que vivemos. E precisamos entender porque é tão natural para os jovens habitar o ciberespaço. Essa é a configuração do mundo que eles conhecem. Não faria sentido ser diferente. Nada mais natural, portanto, do que pensar em uma série de livros que promova a relação entre a literatura e o ciberespaço, criando, assim, condições para que esses jovens vivam de modo intenso o prazer da leitura e se deem conta de que o poder de criação da literatura é tão grande, que ele inclui, também, os muitos universos virtuais.


O que vem depois do ciberespaço?


Quando reconhecemos que o ciberespaço se define como o domínio do virtual, da experiência absoluta da criação infinita de “realidades”, é difícil imaginar o que vem depois dele. Acho que ainda há muito por ser criado em termos das possibilidades de vivências dentro do próprio ciberespaço. A web 2.0, por exemplo, introduziu ferramentas que tornaram muito mais simples a interação entre indivíduos no universo virtual. As redes sociais partiram desse conceito e facilitaram mais ainda a criação de comunidades virtuais, o contato entre pessoas que provavelmente jamais se conhecerão, a experiência de uma alteridade impossível no mundo real. Hoje vemos o Brasil mergulhado na “febre” do twitter. As pessoas estão fascinadas pela possibilidade de passar o dia informando o que estão fazendo, em micro-textos de 140 caracteres. É quase como se tivessem a necessidade de narrar a própria vida à medida que ela está sendo vivida. Se alguém nos dissesse, cinco anos atrás, que a proposta de divulgação de micro-textos teria um efeito como esse, provavelmente não acreditaríamos. Bastou surgir a ferramenta para que milhões passassem a utilizá-la. A pergunta não me parece ser, portanto, o que está além do ciberespaço, mas sim quais novas ferramentas surgirão para nos permitir explorar ainda mais o seu potencial.


Postado em 24 de agosto de 2009 por João José Saraiva da Fonseca

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