quarta-feira, 8 de outubro de 2008

A escola como centro da violência

Perante os dados revelados na pesquisa, referida no artigo, fico na dúvida sobre o jargão, que aponta a escola como fomentadora de uma cultura de compreensão e de paz.

Como a escola pode fomentar a escola se no seu interior existe a violência declarada. Reparem que não estou referindo a violência das propostas pedagógicas, a violência do espaço físíco, a violência dos currículos, a violência do "tempo escola". A pesquisa aponta mesmo para a violência física e muitas vezes gratuita.

Dá para refletir, como mudar a sociedade com a educação, se o pior da sociedade já imbricada na escola e na educação.


Violência escolar atinge 1 milhão de crianças a cada dia, aponta pesquisa


Por dia, cerca de 1 milhão de crianças em todo o mundo sofrem algum tipo de violência nas escolas. Foi o que detectou uma pesquisa divulgada nesta terça (8) pela organização não-governamental Internacional Plan, que atua em 66 países em defesa dos direitos da infância.

O relatório é parte da campanha global "Aprender sem medo", lançada também nesta terça. O objetivo é promover um esforço mundial para erradicar a violência escolar.

O Brasil foi incluído no estudo. E os resultados são alarmantes: 70% dos 12 mil estudantes pesquisados em seis estados afirmaram terem sido vítimas de violência escolar. Outros 84% desse total apontaram suas escolas como violentas.

A campanha terá como foco as três principais formas de violência na escola: o castigo corporal, a violência sexual e o bullying, fenômeno definido pelo estudo como "atitudes agressivas, intencionais e repetidas que ocorrem sem motivação evidente, adotadas por um ou mais estudantes contra outro".

Cada país vai moldar a campanha de acordo com a realidade nacional. Comum em todo o mundo, o bullying será o centro das ações no Brasil. Segundo a pesquisa, pelo menos um terço dos estudantes do país afirmou estar envolvido nesse tipo de atitude, seja como agressor ou como vítima. De acordo com o assessor de educação da Plan Brasil, Charles Martins, o castigo corporal, apesar de ainda estar presente nas escolas brasileiras, é mais repreendido do que o bullying.

"Nós identificamos que o bullying é hoje a prática mais presente. Com o conselho tutelar e outras ações externas, o castigo corporal não acontece tão facilmente, já o bullying tem implicações psicossociais nos indivíduos. Mas não se tem essa consciência, é uma temática nova", explica o pesquisador.

O estudo aponta que as vítimas dessa prática perdem o interessem pela escola e passam a faltar às aulas para evitar novas agressões. "Essas vítimas apresentam cinco vezes mais probabilidade de sofrer depressão e, nos casos mais graves, estão sob um risco maior de abuso de drogas e suicídio", diz o relatório.

Martins alerta que o comportamento não é tão fácil de ser identificado, mas pode ser configurado como bullying quando as agressões verbais e emocionais se tornam repetitivas. "O professor precisa identificar em sala de aula as crianças que têm um padrão de vítima como timidez, problemas de rendimento e se tornam em alguns momentos anti-sociais", indica.

Para a organização, as estratégias de combate à violência escolar mais eficientes se concentram na própria escola. Alguns exemplos são o estabelecimento de normas claras de comportamento, treinamento de professores para mudar as técnicas usadas em classe e a promoção da conscientização dos direitos infantis.

Fonte: Agência Brasil - 07/10/2008

Postado por João José Saraiva da Fonseca em 8 de outubro de 2008

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