segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Ler e Escrever Tecnologias na Educação

Caderno de Orientações Didáticas: Ler e Escrever Tecnologias na Educação.

Recomendo a leitura do livro: "Caderno de Orientações Didáticas: Ler e Escrever Tecnologias na Educação". A publicação é o resultado de uma parceria entre a Secretaria Municipal de Educação de São Paulo e o Educarede.

É uma material que se propõe auxiliar os professores, tanto de informática educativa como os de área no planejamento de atividades no laboratório de informática.

Nessa obra encontra-se um conjunto de idéias e atividades que foram selecionadas a partir das vivências do grupo.


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A propósito do "Ler e Escrever Tecnologias na Educação", propomos que leiam a entrevista abaixo de Pier Cesare (professor da Universidade Católica de Milão) e que defende a formação do mídia-educador.


Professor italiano, Pier Cesare Rivoltella, defende a formação do mídia-educador


Professor da Universidade Católica de Milão e vice-presidente da Associazione Italiana per l'educazione ai media e alla comunicazione (MED), Pier Cesare Rivoltella, esteve recentemente no Brasil ministrando um seminário para educadores no Departamento de Educação da Pontifícia Universidade Católica (PUC-Rio), onde atua como pesquisador associado ao Grupem - Grupo de Pesquisa Educação e Mídia.

Estudioso da relação entre mídia e educação, Rivoltella defende a formação de um novo profissional: o mídia-educador, que, além de atuar como educador para e com os meios, poderia atuar junto a empresas de produção e exibição em favor da qualidade das produções de mídia dirigidas para crianças e adolescentes. Em seminário interno promovido para os funcionários da MULTIRIO, o pesquisador elogiou as experiências e os programas desenvolvidos na América Latina, em especial no Brasil, e destacou que este novo profissional surge como uma resposta da sociedade ao mundo globalizado, comercial e midiático.


RIO MÍDIA - Como o senhor definiria mídia-educação?
Pier Cesare Rivoltella - É um campo de pesquisa e intervenção relativamente novo e bastante abrangente. Tem o objetivo de promover uma educação com a mídia, por meio dela e sobre ela, levando em conta as implicações deste processo no dia-a-dia da sociedade e como esta própria sociedade interpreta esta influência. Antigamente, o binômio mídia-educação era entendido apenas como um movimento que incentivava o uso dos aparatos tecnológicos (da mídia) no cotidiano escolar. Hoje, o conceito é outro, evoluiu. Mídia-educação é muito mais do que isso: é um campo de pesquisa e de ação que ultrapassa os muros da escola e que, portanto, merece estudo e atenção. Na Itália, estas duas áreas (comunicação e educação), infelizmente, não dialogam entre si. Os educadores não estabelecem nenhuma ligação com a mídia. Já os comunicadores acreditam que as questões educacionais não lhes dizem respeito - são problemas dos educadores. É muito difícil convencer os educadores de que a mídia é parte do processo de suas ações. Eles entendem a mídia apenas como ferramentas opcionais do seu trabalho diário na escola.


RIO MÍDIA - Qual seria a formação deste novo profissional?
Pier Cesare Rivoltella - O mídia-educador deve saber trabalhar com a comunicação e deve ter também conhecimentos da área educacional. Não se trata de um técnico da área, um especialista, mas de uma pessoa que conhece os meandros das duas áreas (comunicação e educação) e que sabe dialogar com todos os profissionais envolvidos em um processo de produção de mídia - agindo como um coordenador. Além das escolas, o mercado de trabalho carece deste profissional, seja nas empresas de comunicação, nas produtoras, nas agências de publicidade ou nos sets de filmagens. Atualmente, as empresas de mídia têm apenas uma visão mercadológica e comercial de seus produtos. Não apresentam nenhuma preocupação com as implicações e influências que seus produtos possam causar na sociedade, em especial nas crianças e adolescentes. Estamos pressionando as instituições italianas a aceitarem este novo profissional em seus quadros. O trabalho é lento, mas necessário.


RIO MÍDIA - Mas, na prática, qual a importância deste profissional para a sociedade?
Pier Cesare Rivoltella - O mídia-educador surge como uma resposta da própria sociedade ao mundo globalizado, comercial e midiático em que vivemos. É uma resposta de todos nós à Sociedade de Consumo do mundo ocidental. Este profissional representa a figura de um interlocutor entre a sociedade e as empresas de comunicação, entre a sociedade e o poderio da mídia. Portanto, é este profissional que garantirá, por exemplo, a qualidade da programação e o exercício dos direitos das crianças e dos adolescentes, bem como a formação de uma audiência crítica e reflexiva. Na Itália, vivemos uma situação peculiar. Nosso primeiro ministro exerce controle sobre as três redes de TV nacional e também é sócio do maior grupo editorial e televisivo italiano.


RIO MÍDIA - A Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo defende a formação do educomunicador, profissional ligado às áreas da comunicação e da educação que tem o objetivo de trabalhar estas questões dentro da escola. Mídia-educador e educomunicador seriam a mesma pessoa? Pier Cesare Rivoltella - O chamado Educomunicador, difundido aqui no Brasil pela Universidade de São Paulo, por meio do professor Ismar de Oliveira, é o resultado do desenvolvimento do educador. É a nova fronteira do professor. Educomunicador é aquele que trabalha com a mídia na educação, na escola. Hoje, todos os educadores precisam ser educomunicadores, afinal é praticamente impossível trabalhar na escola sem articulá-la com a mídia. O mídia-educador é mais amplo. Ele não é um profissional que trabalha, prioritariamente, na escola. Ele é um profissional que está apto a trabalhar nas empresas de comunicação, gerenciando e supervisionando as produções de acordo com os interesses da sociedade e os direitos das crianças e dos adolescentes. São duas figuras muito importantes que se complementam, mas diferentes. Neste campo, podemos ainda identificar um terceiro profissional: o chamado educador de multimeios, que tem o objetivo apenas de alfabetizar a criança ou o adolescente no mundo eletrônico.


RIO MÍDIA - Neste sentido, como se dá a articulação entre a mídia e a educação nas escolas italianas? Os professores estão avançados neste processo, reconhecem a importância desta interface?
Pier Cesare Rivoltella - Os professores não estão preparados. Os cursos de formação não abrem espaço para esta discussão e conseqüentemente não preparam os profissionais para esta realidade. Muitos professores ainda acreditam que mídia-educação se resume apenas na utilização dos aparelhos na sala de aula. É difícil convencê-los de que a mídia deve ser parte do processo, deve estar articulada com o cotidiano dos alunos e que deve ser, inclusive, objeto de estudo. Para mudar este cenário, as universidades vêm desenvolvendo projetos e oferecendo cursos de atualização para os professores. Criamos também na Itália a Associazione Italiana per l'educazione ai media e alla comunicazione (MED), que tem o objetivo de intercambiar experiências entre os professores e divulgar projetos bem sucedidos para a sociedade. Avançamos, mas é preciso muito mais. É necessário que haja um comprometimento político para que efetivamente este campo de trabalho tenha êxito. Nos anos 90, não tínhamos praticamente nenhum curso sobre mídia e educação nas universidades. Hoje, 15 anos depois, pelo menos, 12 instituições já oferecem algum módulo nesta área.


RIO MÍDIA - E como as empresas de comunicação vêem a importância deste novo profissional?
Pier Cesare Rivoltella - Com certa resistência. O mídia-educador está muito pouco presente. Os obstáculos ainda são muitos. A Itália carece, por exemplo, de uma regulamentação mais enérgica sobre a programação televisiva. A lei estabelece uma faixa horária especial reservada para o público infantil, que vai das 10 às 20 horas. No entanto, devido ao ritmo de vida cada vez mais acelerado, as crianças assistem, em sua grande maioria, à TV após as 20 horas. Em uma recente pesquisa, a MED entrevistou crianças e adultos sobre a qualidade da programação da TV. As crianças se mostraram mais críticas do que os adultos. Elas reivindicaram um conteúdo mais educativo e uma linguagem mais próxima de sua realidade. O fato é que o espaço para a TV Educativa na Itália é muito pequeno. Por outro lado, as TVs comerciais também não estão interessadas em investir recursos em novos formatos. Grande parte da programação televisiva italiana é importada.


RIO MÍDIA - Realidade muito parecida com a nossa...
Pier Cesare Rivoltella - Sim. Mas ao participar da 4a Cúpula Mundial de Mídia para Crianças e Adolescentes, em abril passado, pude constatar algumas iniciativas do Brasil e da América Latina muito interessantes. A dinâmica do trabalho da MULTIRIO, por exemplo, é único em todo o mundo. Vocês, na prática, conseguem reunir profissionais de diversas áreas em torno de um mesmo objetivo, com um resultado excelente. Na Europa, teorizamos muito o estudo e vocês aqui partem direto para a prática, o que é muito bom e rico. São experiências originais e exitosas. Talvez, este trabalho seja resultado da tradição pedagógica ou da realidade em que vivem. Foi por este motivo, por esta diversidade rica de experiências, projetos e programas, que vim ao Brasil. Estou iniciando um trabalho de parceria entre a Universidade Católica de Milão e a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) para intercambiar conhecimentos, teorias e projetos na área de mestrado e doutorado e quem sabe co-produções.


Texto - Marcus Tavares

Fonte: Rio Mídia


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Postado por João José Saraiva da Fonseca em 15 de dezembro de 2008.

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