segunda-feira, 25 de maio de 2009

Duas formas de duas de uso das tecnologias na educação

A propósito dos cuidados a ter no planejamento e desenvolvimento de cursos de formação de professores na área das novas tecnologias da informação e comunicação, Maristela Midlej Silva de Araújo no artigo: "DESENHO DIDÁTICO PARA CURSOS DINAMIZADOS EM AMBIENTES ONLINE: O CASO DO CURSO DE FORMAÇÃO PARA PROFESSORES EM SERVIÇO DO ENSINO MÉDIO", distingue duas formas de uso das tecnologias na educação: uma como instrumentalidade e outra como fundamento (PRETTO, 1996). Em relação à primeira forma, é questão de colocá-la como recurso didáticopedagógico, para “animar a aula”, “prender a atenção do aluno”. Numa visão como essa, a educação continua como está, apenas inserindo novos recursos tecnológicos, o que implica dizer que o professor está usando a tecnologia para substituir a aula, substituindo um espaço que poderia ser de comunicação interativa, dialógica, de construção colaborativa de conhecimento e focando numa lógica de transmissão. Quanto à incorporação das TIC como fundamento, seria utilizá-la como um elemento carregado de conteúdo (e não apenas como instrumento), simbolizando novas maneiras de pensar e sentir.

Nesse sentido, a autora recorre a a afirmações de Bonilla (2005, p. 201) para referir o cuidado que se deve ter nas ações de formação para que não se reduzam a treinar utilizadores em lugar de formar professores, pois o processo de formação é mais amplo, complexo, e envolve muitos fatores, além do uso prático das tecnologias. Para a autora, isso não quer dizer que as ações práticas não sejam importantes; no entanto, não são suficientes. Além de o professor saber manusear o mouse, utilizar um editor de texto ou imagem, necessita ser capaz de perceber as potencialidades das tecnologias para a transformação das práticas pedagógicas instituídas, conhecer suas
características, as possibilidades de articulação com as demais linguagens já em uso na escola e como é possível trabalhar com estas sem as sufocar. A autora recorre a Lemos para afirmar que qualquer atividade pedagógica no ciberespaço demanda a compreensão desse novo ambiente, os quais podem ser compreendidos a partir de alguns conceitoschave como interatividade; navegabilidade, hipertextualidade (intratextualidade e intertextualidade), multivocalidade, sem falar, logicamente, na parte estética. Para ela, esses conceitos podem ajudar a criar experiência online que utilize todo o potencial do meio, e atenda aos diferentes estilos de aprendizagem, produzindo assim um espaço para as livres expressões e navegações.

Referências:
BONILLA, Maria Helena. Escola aprendente: para além da sociedade da
informação. Rio de Janeiro: Quartet, 2005.
LEMOS, André et al. Uma sala de aula no ciberespaço: reflexões e sugestões a
partir de uma experiência pela internet. Disponível em:
Acesso: 03 mar. 2006.
PRETTO, Nelson. Uma escola sem/com futuro. Campinas: Papirus, 1996.

Postado em 25 de maio de 2009 por João José Saraiva da Fonseca

Nenhum comentário: