domingo, 4 de janeiro de 2009

A EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA NA SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO

A EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA NA SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO

Autor:
João José Saraiva da Fonseca


Objetivos:

Caracterizar as potencialidades e vulnerabilidades da educação a distancia na Sociedade da Informação.
Apresentar o panorama social, econômico, cultural, político e tecnológico em que surgiu e se desenvolveu a educação a distância.


Antes de tudo...

Você certamente já ouviu falar em educação a distância. Que fatores estiveram implicados na sua origem e desenvolvimento? Qual o papel da educação a distancia na promoção da educação universalizada e democrática? Que papel poderá desempenhar o cidadão nesse processo?



A Declaração Universal dos Direitos do Homem ao consagrar em 1948 o direito à educação, aponta para a necessidade de garantir o desenvolvimento pleno dos indivíduos, através da igualdade de oportunidades no acesso à educação.

Qual será o papel social da educação?

A educação deve garantir ao indivíduo, os instrumentos para a sua inserção participativa e transformadora na sociedade em que vive e possibilita as condições de intervenção social crítica, dentro dos princípios de convivência democrática.

Nesse contexto como poderemos definir cidadania?

A cidadania encontra-se intimamente ligada a proposta de que todos os indivíduos atinjam os princípios da liberdade e da igualdade perante a lei e a universalização dos direitos.

Qual o papel das novas tecnologias da informação e comunicação?

A rápida evolução tecnológica, nomeadamente nas últimas décadas do século XX, com a implementação de uma sociedade sustentada na necessidade permanente de tratamento e atualização da informação difundida universalmente com o recurso às novas tecnologias da informação e comunicação. A rapidez na geração de novas informações e de novos conhecimentos, em praticamente todas as áreas do saber, demanda a utilização de novas propostas educativas, que tornem a aprendizagem rápida, flexível e significativa.

Que fatores deverão de estar presentes quando se fala de universalização da educação?

A universalização do acesso à educação não está unicamente relacionado com as políticas educativas e as novas tecnologias da informação e da comunicação. Só uma prática educativa atenta aos valores do saber, saber-ser, saber-fazer e saber-conviver, possibilitará as condições para uma universalização no acesso e no sucesso considerado em seus diferentes sentidos.

Que mudanças deverão ocorrer para que se promova a construção de “novos” cidadãos?

Para atingir estes objetivos, a escola tende a abandonar uma postura que aprimora aptidões já definidas em cada indivíduo, passando a atribuir particular relevo aos fatores ambientais e sociais presentes e envolventes da educação. Os indivíduos assumem um papel central enquanto parceiros da escola na construção de uma aprendizagem que promova o crescimento integral da sua pessoa, o desenvolvimento do seu papel crítico, exigente e consciente.

Estará a escola preparada para tais mudanças?

Perante as alterações sócio-culturais e tecnológicas crescentes, torna-se ainda mais relevante a intervenção da educação na formação do indivíduo e do cidadão. Entretanto os sistemas de ensino encontram dificuldades para corresponderem às exigências de universalização da educação não só ao nível da formação inicial, mas crescentemente ao longo de toda a vida e com a vida, essencial para enfrentar a obsolescência acelerada da tecnologia e do conhecimento.

Que papel terá a educação a distância na promoção da universalização de uma educação de qualidade?

A educação a distância é de acordo com o Decreto 2.494, de 10/02/1998, “uma forma de ensino que possibilita a auto-aprendizagem, com a mediação de recursos didáticos sistematicamente organizados, apresentados em diferentes suportes de informação, utilizados isoladamente ou combinados, e veiculados pelos diversos meios de comunicação”.

Ela tem por objetivo possibilitar condições igualitárias de acesso à educação ao longo de toda a vida, aproveitando as oportunidades colocadas pelas novas tecnologias da informação e da comunicação. De acordo com Niskier (1999: p. 19) a educação a distância apresenta-se como “a tecnologia da esperança”, que deve ser encarada como “capaz de propiciar o exercício da cidadania” (Niskier, 1999: p. 29).
A sua evolução está intimamente relacionada com os desafios de uma participação mais ativa do indivíduo enquanto cidadão no quadro da vida social e política. Em consonância com as oportunidades proporcionadas pela evolução das tecnologias da informação e da comunicação (NTIC), a educação a distância tem se afirmado mundialmente como alternativa credível de acesso à educação, do ponto de vista dos recursos e da qualidade do ensino ministrado. As NTIC podem gerar condições para um aprendizado mais interativo, abrindo vários caminhos que possibilitem aos alunos determinar seu ritmo, sua velocidade e seus percursos de aprendizagem.
De acordo com Perrenoud (2000), as novas tecnologias da informação e comunicação transformaram as nossas maneiras de comunicar, de trabalhar, de decidir e de pensar. Aplicadas à educação a distância elas reforçam a idéia de uma formação holística do homem que de acordo com Morin (2000), não mais seja reduzido à condição de individuo.

O livro Verde da Sociedade da Informação no Brasil (2000:35) atribui particular relevância ao apoio aos programas “de educação continuada e a distância baseados na Internet e em redes, mediante fomento a escolas, capacitação dos professores, auto-aprendizado e certificação em tecnologias de informação e comunicação em larga escala; implantação de reformas curriculares visando ao uso de tecnologias de informação e comunicação em atividades pedagógicas e educacionais, em todos os níveis da educação formal”.

O mesmo documento aponta “que a disseminação da Internet nos anos recentes tem feito surgir com novo ímpeto o interesse da Educação a Distância como mecanismo complementar, substitutivo ou integrante de ensino presencial”. São apontados como “aspectos críticos o desenvolvimento de metodologias pedagógicas eficazes” para a Internet e de “ferramentas adequadas para o estudo individual, ou em grupo”.
A educação a distância deverá se devendo incorporar progressivamente no sistema regular de ensino, não se limitando a suprir demandas emergenciais, nem a corrigir insuficiências pontuais da educação presencial.


Texto complementar

Texto adaptado de um artigo publicado no “Tudo a Ler”, órgão informativo do NECAD/Centro de Educação/UECE - Ano II Nº 6 - Outubro/Novembro/Dezembro2000, a partir de um texto retirado do Jornal Folha de São Paulo 04/10/2000.


Educação “para a distância”? Nunca!

Arnaldo Niskier

A primeira referencia na lei brasileira, à modalidade de educação a distância, conhecida no mundo desenvolvido desde o século passado, é feita Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Lei nº 9.394/96). Como sempre, chegamos atrasados. Fica difícil entender, no mundo caracterizado pelas maravilhas da sociedade da informação, possíveis resistências ao emprego da EAD. O fato de ainda exibirmos estatísticas de 16 milhões de analfabetos já seria motivo bastante para a utilização de tecnologias educacionais, hoje disponíveis para a educação, como os vídeos, as TVs digitais, os computadores e a assombrosa internet.

Da mesma forma que aconteceu com as idéias de Jean Piaget quando houve uma grande discussão sobre se elas constituiriam um método ou uma teoria, com clara propensão para a segunda hipótese, a educação à distância inspirou uma série de conceitos aparentemente díspares: tratar-se-ia de modalidade, de metodologia ou de tecnologia? Sem entrar no mérito da questão etimológica, sem dúvida a EAD pode ser apresentada como a tecnologia da esperança. Há uma expectativa positiva de que possamos representar um reforço considerável à política de recursos humanos de nações interessadas no progresso e que dependerão dessa modalidade para alcançar uma aprendizagem construtiva.

Ampliou-se a noção de ensino, antes centrada somente na precária sala, de aula, para alternativas audaciosas, representadas pela entrada em cena, a partir da década de 80, e satélites, vídeos, microcomputadores e correio eletrônico. É como se transformássemos o mundo da fantasia em realidade. A habilidade profissional antes buscada nas universidades tradicionais, por métodos convencionais, cede espaço, felizmente, para ações de treinamento técnico em órgãos governamentais, no comércio, na indústria, nas profissões, ensejando um claro aperfeiçoamento em virtude da apropriação rápida de noções enriquecedoras.

Essa é a educação de amanhã, que hoje se vislumbra com nitidez. Quem fugir a essa interatividade, mantendo padrões antigos, estará condenado à superação inexorável. Os sistemas tecnológicos orientados para a educação devem servir para a atualização do nosso trabalhador, ampliando suas oportunidades de emprego, hoje em crise.
Ao estabelecer-se essa cultura planetária, que tem lá os seus riscos, deve-se levar em conta que jamais poderá ela servir de instrumento de dominação. Os desvios poderiam ensejar o que ninguém pretende, ou seja, expandir de forma lamentável uma “educação para a distância”.

A história da teleducação brasileira nasceu há muitos anos, numa época em que nem a mais fértil imaginação poderia prever os recursos hoje existentes. Quando se fala em educação interativa à distância, por exemplo, com base no emprego de satélites de telecomunicações, quem poderia supor que houvesse tamanha oferta mundial de teleconferências, reunindo universidades dos mais distantes nações? A interatividade significa debate em tempo real, o que antes seria impossível estimar.
Ainda não dispomos de uma política nacional de educação à distância, o que é bem sintomático. O professor Walter Garcia estima que, em dez anos, teremos cinco vezes mais alunos de educação à distância, do que os que se encontram hoje freqüentando os cursos presenciais. Isso quer dizer que o Brasil terá, relativamente em pouco tempo, cerca de 10 milhões de alunos nos cursos à distância.

O que se espera é que os materiais de apoio sejam de boa qualidade e que se processe um aprendizado coletivo, cooperativo, como é próprio dessa modalidade, que está longe de poder ser confundida com um supletivo de segunda categoria. Aliás o professor Carlos Alberto Serpa de Oliveira, do CNE, chamou a atenção para a necessidade de qualificação de corpo docente longe dos métodos tradicionais, com o pleno emprego da educação à distância, na qual ele diz “confiar totalmente”.


Pesquisar e preciso:

Recomendamos que você veja o vídeo produzido pela equipa do NECAD: “Das setas aos sites”. Faça anotações dos trechos que lhe pareçam mais relevantes. Debata com os seus colegas nos momentos presenciais e através de outros instrumentos de mediação colocados ao seu dispor, a temática do vídeo e a relevância das novas tecnologias da informação e da comunicação e da educação a distancia, na sociedade atual.
Leia o Livro Verde do Programa Sociedade da Informação Brasil, no endereço eletrônico: http://www.socinfo.org.br/livro_verde

Sei ou não sei...

Comente a frase: a educação a distancia apresenta-se como a “tecnologia da esperança” (Niskier, 199 : p. 29).

Qual a contribuição que a educação a distancia poderá dar na promoção da cidadania?



Síntese:

A educação distancia tem por objetivo possibilitar condições igualitárias de acesso a educação ao longo de toda a vida e com a vida. As novas tecnologias da informação possibilitaram a educação a distancia promover o desenvolvimento do ser humano plenamente consciente dos seus deveres e direitos de cidadania e respeitador de uma visão holística de mundo em que ele e apenas simples elo de uma rede de vida que trespassa o universo.


O artigo XXVI da Declaração Universal dos Direitos Humanos, refere: Toda pessoa tem direito à instrução. A instrução será gratuita, pelo menos nos graus elementares e fundamentais. A instrução elementar será obrigatória. A instrução técnico-profissional será acessível a todos, bem como a instrução superior, esta baseada no mérito.


Bibliografia:
BRASIL. MCT. Sociedade da informação no Brasil: Livro Verde. MCT : Brasília, 2000.
NISKIER, Arnaldo. Educação a distancia: A Tecnologia da Esperança. São Paulo: Edições Loyola, 1999.
MORIN, Edgar. Os sete saberes necessários à educação do futuro. Brasília: Unesco, Cortez, 2000.
PERRENOUD, Philippe. Dez Novas Competências para Ensinar, Porto Alegre: Artmed Editora, 2000.

Autoria de João José Saraiva da Fonseca

Postado em 4 de janeiro de 2009 por João José Saraiva da Fonseca

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