domingo, 4 de janeiro de 2009

A linguagem na produção de material didático

A linguagem na produção de material didático


O primeiro passo para a produção do material didático que facilite esse processo deve ser uma pesquisa que investigue o contexto sociocultural e a realidade dos alunos matriculados por pólos, hábitos, costumes e linguagem. A partir dessas primeiras informações, o professor pode começar o seu trabalho de elaboração das aulas, não só utilizando uma linguagem acessível, mas também usufruindo e dispondo de recursos audiovisuais que auxiliem na compreensão do conteúdo da disciplina. Essa adequação não é fácil, já que os públicos-alvo podem apresentar grande diversidade, devido ao alcance dos cursos de EAD.

Outro obstáculo é a dificuldade que professores-conteudistas encontram na construção do texto. Isso implica falhas na comunicação, pois cabe, a um professor que tem o costume de transmitir o conteúdo oralmente, “escrever” uma aula, com início, meio e fim. Ora, todos sabemos que encerrar um assunto numa aula é bastante complicado. Portanto, o desafio mostra-se mais complexo do que se imagina ao aceitá-lo. Entretanto, acreditamos que, à medida que desenvolva tais aulas, o professor adquira intimidade com esse tipo de linguagem e passe a descobrir por si mesmo outras alternativas de comunicação com os alunos.

Mas as dificuldades não são apenas da ordem da comunicação; é comum, por exemplo, percebermos que o profissional da área de ciências exatas, preso ao raciocínio lógico e acreditando que há uma certa obviedade em suas informações, depara-se com barreiras na construção do texto, além de carregar consigo inúmeros vícios de linguagem e termos importados de línguas estrangeiras. Outro obstáculo que surge é a utilização freqüente de jargões de todas as áreas de conhecimento, que traz grandes dificuldades para o leigo que não tem a quem recorrer ao se deparar com tais expressões.

O texto em educação a distância exige empatia e cumplicidade com o aluno, simplicidade e clareza na apresentação do conteúdo. Freqüentemente nos deparamos com conteudistas que ainda ignoram a proposta da educação a distância, preparando textos que servem mais como ensaios acadêmicos. Isso causa grande desconforto, tanto para os alunos quanto para os tutores, que muitas vezes não compreendem bem o objetivo de textos tão herméticos e confusos.

Abordaremos agora, algumas situações ligadas à padronização do material didático impresso com as quais nos deparamos no cotidiano. Dentre essas situações, podemos destacar:
* falta de concatenação de idéias;
* parágrafos longos;
* falta de coerência e coesão textuais;
* excesso de uso da linguagem técnica;
* construção truncada;
* distanciamento do aluno;
* saltos na explicação do conteúdo;
* ausência de recursos lúdicos e exemplos externos ao conteúdo.

Em relação aos parágrafos longos demais, as soluções encontradas dizem respeito à sua reestruturação, adaptando também a esse contexto a concatenação das idéias entre parágrafos, o que, conseqüentemente, melhora a coerência do texto, facilitando a compreensão.

A utilização da linguagem técnica em excesso torna a aula maçante e de difícil entendimento. Para resolver esta questão, a proposta é desenvolver os conceitos numa linguagem mais acessível, para que o texto acadêmico se adapte à realidade do aluno, numa relação dialógica, sem deixar de mencionar os termos técnicos específicos de cada curso. Para uma aproximação mais adequada do conteúdo ao seu público-alvo, utilizam-se recursos visuais como caixas de texto, ilustrações, figuras, fotos, histórias e tudo que possa complementar os conteúdos que estão sendo apresentados ou trazer um elemento lúdico à aprendizagem a distância.

A linguagem gráfica é um aspecto fundamental para que a aula a distância seja agradável, leve e cumpra sua função, ou seja, transmitir determinado conteúdo. Por isso não pode ser descuidada ou considerada de menor importância.

A utilização de pequenas brincadeiras, por sua vez, é um recurso interessante e positivo para o aluno, pois quebra a rigidez/aridez dos temas tratados nas aulas, descontraindo e muitas vezes preparando o aluno para um assunto seguinte.

O cuidado na preparação do material didático é imprescindível para incentivar o aluno a continuar seus estudos e concluí-los da melhor forma, dentro de suas características e possibilidades.

Referências bibliográficas:
SAVIANI, D. Escola e democracia. Campinas: Autores Associados, 1992.
PETERS, Otto. Didática do ensino a distância: experiências e estágio da discussão numa visão internacional. São Leopoldo: Unisinos, 2001.

Fonte: Fundação CECIERJ/Consórcio CEDERJ (adaptado por João José Saraiva da Fonseca)

Postado em 4 de janeiro de 2009 por João José Saraiva da Fonseca

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